Atividade Física e controle de peso corporal

Sabe-se que a prática de exercícios esta diretamente relacionada com o controle de peso corporal, já que várias adaptações metabólicas ocorrem decorrentes da realização frequente da mesma em nível crônico ( treinamento).


Estudos demonstram que a quantidade de ácidos graxos livres no plasma aumentam, consideravelmente em indivíduos treinados e consequentemente , o subtrato fica mais disponível para utilização como combustível durante e depois da realização do exercício.


A grande questionamento gira em torno de qual o tipo, intensidade e volume de atividade física que é mais apropriado para obtenção de perda de peso.

Em primeiro lugar é importante ressaltar as diferenças existentes entre grupos distintos: Sedentários, indivíduos ativos e atletas, já que as adaptações metabolicas entre os grupos apresentam diferenças gritantes, pois quanto mais condicionado o indivíduo esta, mais rapidamente ele adapta o seu organismo a potencializar a utilização de gordura como substrato energético.


Outro fator importante é a intensidade imposta na realização do exercício pois um aumento gradativo da mesma impulsiona ao chamado conceito de “cruzamento”, pois a medida que a intensidade do exercício aumenta, há um aumento progressivo na contribuição de carboidratos e uma concomitante diminuição da gordura como fonte de substrato.


Embora o conceito de cruzamento esteja bem estabelecido, existem linhas de pesquisas que defendem a idéia de que mesmo exercícios realizados sob alta intensidade e curta duração (intermitentes) podem contribuir para a perda de peso e utilização de gordura como fonte de substrato de forma semelhante aos exercícios de baixa intensidade. Embora a mobilização relativa de gordura seja menor em comparação ao exercício leve/moderado, a sua utilização em valores absolutos torna-se semelhante devido ao maior gasto calórico imposto por esse tipo de atividade. Além disso imediatamente após exercício, principalmente de alta intensidade, o metabolismo permanece elevado por vários minutos, de maneira que a captação de oxigênio mantem-se em níveis maiores que o basal durante esse período em decorrência da conversão do ácido lático, produzido durante o exercício, em glicose, bem como a restauração dos estoques de creatina fosfato (CP) no músculo esquelético e de oxigênio no sangue e nos tecidos. Além disso as frequências cardíaca e respiratória, temperatura corporal e determinados hormônios circulantes, permanecem elevados acima dos níveis de repouso vários minutos após o exercício requerendo dessa forma oxigênio adicional para estabelecimento dos seu estado basal, sugerindo que a gordura poderia ser o substrato que “pagaria a conta” para que isso ocorra. Esse termo foi determinado EPOC (excesso de consumo de oxigênio pós-exercício).


Por outro lado, outras fontes não creditam ao EPOC esse gasto calórico aumentado, pois consideram que essa diferença no consumo calórico não é significativa a ponto de ser considerada como principal fator para tal aumento.


Ao realizarmos alguns estudos em nosso laboratório constatamos que mesmo o exercício dito intermitente ou de alta intensidade provoca perda de peso, embora aspectos metabólicos como aumento na atividade de algumas enzimas chave para o metabolismo não tenha sido constatado, sugerindo que outras vias podem estar envolvidas em tal reação.


Dessa maneira, durante o exercício prolongado, a oxidação de lipídios torna-se mais importante quando os estoques de carboidratos são depletados, considerando que o metabolismo de carboidratos torna-se quantitativamemte mais importante com o aumento do intensidade do exercício, considerando que carboidratos e lipídios são derivados dos estoques extra e intramuscular.


Embora o tecido adiposo contenha a maior reserva de lipídios do nosso corpo, os ácidos graxos intramusculares e as inclusões lipídicas localizadas entre as miofibrilas tornam-se um importante substrato para contração muscular devido a sua maior disponibilidade durante a realização do exercício já que um dos efeitos causado pelo treinamento é o aumento na quantidade de ácidos graxos disponíveis na fibra muscular esquelética.


Portanto, levando em consideração que muitas pessoas praticam atividade física buscando controlar o peso corporal, chegamos ao mesmo questionamento: Que tipo atividade física é melhor para a perda de peso?


Mesmo com inúmeras controvérsias a respeito do assunto, estudos apontam que para a população como um todo, não existe um tipo de atividade melhor ou pior para a manutenção do peso corporal desde que essa atividade seja realizada com uma frequência que gire em torno de pelo menos 3 vezes a semana ,e que além disso ocorra um acompanhamento nutricional já que a partir de estudos torna-se evidente que um programa de atividades acompanhado de um controle na alimentação é muito mais eficiente do que o programa de atividade física per se, pois percentualmente a participação da dieta em relação ao exercício é muito maior no controle de peso corporal.





Treinamento de alta intensidade e taxa metabólica basal (TMB)

O treinamento é frequentemente usado como recurso para programas de promoção, senso seus efeitos benéficos são amplamente conhecidos. De fato, vários estudos mostram uma substancial redução de peso imposta pela atividade física praticada continuamente, contudo, a grande maioria dos estudos, baseiam-se em pesquisas que avaliaram a eficiência baseada no volume de treinamento imposto ( baixa intensidade e longa duração). A intensidade do exercício é uma outra estratégia que influencia o balanço energético.

O senso comum aponta que a prescrição de exercícios mais adequada para a redução do peso corporal são aqueles de baixa intensidade. Tal fato baseia-se em estudos que apontam uma maior proporção de lipídios oxidados nesse tipo de exercício em comparação exercícios de esforço elevado. Se considerarmos apenas as adaptações fisiológicas que ocorrem durante o exercício, tal hipótese justifica-se. Contudo, se as adaptações pós exercício forem levadas em consideração, torna-se discutível se de fato exercícios realizados em baixa intensidade representarem a melhor estratégia na promoção de um balanço energético negativo.

Estudos realizados por Lenon e colaboradores a mais de duas décadas (1985) já demonstravam que a taxa metabólica basal (TMB) induzida pelo treinamento esta diretamente ligada a intensidade do treinamento realizado, sugerindo que a intensidade elevada no exercício é mais eficiente em criar um balanço negativo do que o exercício de baixa intensidade. Quinzenalmente atualizaremos este site com informações sobre os mais diversos pontos de vista através de comunicações curtas formuladas por profissionais referencia na área de metabolismo, fisiologia entre outros.