Efeito da suplementação de carnosina na prevenção da inflamação hipotalâmica associada à caquexia

Enjiu, L. M.1,2; D’ Ambrósio, F. C.1; Ribeiro, H. Q.1; Camargo, R. G.1; Gomes, S. P.1 Carnevali, L. C.1,2; Laviano, A.3; Rossi-Fanelli, F.3; Seelaender, M.1

1 Grupo de Biologia Molecular da Célula, Instituto de Ciências Biomédicas I – Universidade de São Paulo – SP, Brasil.

2 Faculdade Anhanguera de Taboão da Serra

3 Departamento de Medicina Clínica, Universidade Sapienza de Roma

INTRODUÇÃO

Sabidamente 50% dos pacientes com câncer apresentam caquexia, uma síndrome que em câncer avançado pode acometer 80% dos indivíduos. Essa síndrome está associada à inflamação sistêmica e anorexia (distúrbio hipotalâmico). O presente estudo avaliou se suplementação com carnosina foi capaz de diminuir a inflamação e os sintomas da anorexia associada à caquexia em ratos portadores de tumor de Walker 256.
MATERIAIS E MÉTODOS
Foram utilizados 40 ratos machos Wistar (pesando ~250g). Os animais foram alojados em gaiolas individuais recebendo água e comida ad libitum (controlados diariamente) e foram divididos aleatoriamente em dois grandes grupos: controle (C, n=20) e experimental (S, n=20). Esses grupos foram subdivididos em 4 subgrupos (n= 10, de cada) a saber: Controle (GC), Controle Tumor (CT), Suplementado Controle (SC) e Suplementado Tumor (ST). Todos os procedimentos experimentais foram aprovados pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal do Instituto de Ciências Biomédicas (Protocolo nº 050/2011).
A suplementação seguiu o protocolo de Aydin et al (2010): 250 mg/kg/dia de carnosina (Sigma-Aldrich), durante 28 dias por administração intragástrica. No 14° dia as células de tumor de Walker 256 foram injetadas nos grupos CT e ST e ao final do 28° dia os animais foram sacrificados. Após o sacrifício o hipotálamo foi coletado e as análises de expressão gênica realizadas por PCR.
RESULTADOS
O consumo de ração, água e o peso dos animais diminuiu significativamente no CT em comparação ao GC. Além disso, o ST manteve-se semelhante ao GC para esses mesmos parâmetros. Notou-se redução significante a massa tumoral no ST em relação ao CT (redução de ~20%).
Ao analisarmos a expressão gênica de citocinas pró e anti-inflamatórias no hipotálamo dos animais, notamos que as citocinas pró-inflamatórias (TNF-α e IL-6) nos grupos CT e ST apresentaram valores maiores que nos grupos GC e SC. Observou-se diminuição significativa na IL-1β (ST) em relação ao grupo CT. Frente à suplementação a expressão da IL-10 foi maior no ST em relação aos demais grupos.
Ao analisarmos a razão entre as citocinas pró e anti-inflamatórias, notamos que ocorreu diferença significativa entre o GC em relação a outros grupos (CT e SC) para a razão IL-10/TNF-α. Em relação à razão IL-10/IL-1β, o ST mostrou-se significante melhora em relação aos demais grupos.
CONCLUSÃO
A suplementação com carnosina foi eficiente em promover a manutenção do peso, aumento da ingestão de ração e água, diminuição do crescimento tumoral e da inflamação em ratos portadores de tumor, sugerindo potencial ação terapêutica contra a caquexia associada ao câncer.

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