Creatina e Exercício

Professor Dr. Luiz Carlos Carnevali Júnior
Doutor e Mestre pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo - Brasil (ICB-USP)
Coordenador dos cursos de Pós-graduação da UGF (Brasil)
Fisiologia e treinamento aplicados às atividades de academias e clubes
Alimentos Funcionais e Nutrigenômica
Coordenador do curso de Nutrição Esportiva do centro EPAP-Portugal (Ensino Profissional Avançado e Pós-graduado)
Autor do Livro: Exercício, emagrecimento e intensidade do treinamento (2011)

Colaboradores

Prof. Felipe Capel D’Ambrosio

Prof. Msd. Lucas Maceratesi Enjiu

Prof. Drd. Rodolfo Gonzalez Camargo

No mundo dos esportes, os praticantes de atividade física ou atletas buscam melhorar seu condicionamento físico ou desempenho, melhorando assim, seus resultados tanto no treino quanto em competições.

Para se obter tais resultados, eles recorrem a algumas estratégias, como a suplementação, tanto com carboidratos quanto com proteínas, como por exemplo: a maltodextrina, o whey protein e a creatina.

A creatina é uma amina nitrogenada formada a partir dos aminoácidos glicina, arginina e metionina, obtidos principalmente pela ingestão de alimentos de origem animal, sendo sintetizada no pâncreas, rins e principalmente no fígado. Nos seres humanos, a sua concentração plasmática é muito pequena, entre 50 a 100 µmol/L e o principal destino dela é o músculo esquelético ( aproximadamente 95%), sendo que os 5% restante encontram-se distribuídos entre órgãos como o cérebro, coração e testículos.

Diariamente, um indivíduo adulto, com uma dieta habitual variada (mista), ingere aproximadamente 1.grama de creatina, e uma quantidade similar é produzida pelo fígado para atingir as necessidades diárias. Este total (cerca de 1.grama), equivale aproximadamente à creatina reciclada diariamente pelo organismo.

É relatado pela literatura que a suplementação em indivíduos que tem uma dieta vegetariana apresentam melhores resultados do que comparado aqueles que ingerem carnes, já que sua fonte é derivada de carnes.

O seu uso como suplemento, segundo estudos, é seguro e não tem demonstrado que possa prejudicar a função renal, porém, recomenda-se que a monitoração sistemática em sujeitos com doenças renais pré-existentes e com propensão à nefropatia.

Uma das ações deste composto de aminoácidos é a participação do sistema anaeróbio alático, onde não há a predominância do oxigênio e não há também a produção de lactato, com duração inferior a 10 segundos. A creatina participa deste sistema realizando uma ressíntese de ATP durante as contrações musculares intensas.

Esta ressíntese ocorre quando a creatina liga-se com a molécula de fosfato, formando um composto chamado creatina fosfato (CP), para produzir o ATP, a partir da adenosina difosfato (ADP).

Estudos vêm demonstrando que a suplementação com a creatina pode ter uma ação ergogênica, sendo que esta passou a ser bastante utilizada por atletas, principalmente em modalidades de predominância anaeróbia.

Partes destes estudos têm demonstrado que a suplementação resulta em um aumento nos níveis intramusculares, diminuição da fadiga periférica com consequente melhora de desempenho em exercícios com predominância anaeróbia. É relatado ainda um aumento de 20% nas concentrações intramusculares, sendo que alguns estudos relatam um aumento de até 25% nestes estoques.

Por ser uma suplementação segura e ser apontada como suplemento nutricional de maior eficiência na melhora do desempenho em exercícios de alta intensidade e no aumento da massa muscular, a utilização desta amina com finalidade ergogênica, é uma estratégia interessante, mas que seja analisada individualmente, caso a caso.

Bom treino a todos

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