Suplementação de beta-alanina na melhora do desempenho esportivo

Professor Dr. Luiz Carlos Carnevali Júnior

Doutor e Mestre pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo - Brasil (ICB-USP)

Coordenador dos cursos de Pós-graduação da UGF (Brasil)

Fisiologia e treinamento aplicados às atividades de academias e clubes

Alimentos Funcionais e Nutrigenômica

Coordenador do curso de Nutrição Esportiva do centro EPAP-Portugal (Ensino Profissional Avançado e Pós-graduado)

Autor do Livro: Exercício, emagrecimento e intensidade do treinamento (2011)

Colaboradores

Prof. Msd. Felipe Capel D’Ambrosio,

Prof. Msd. Lucas Maceratesi Enjiu

Prof. Msd. Rodolfo Gonzalez Camargo

Fadiga da musculatura estriada esquelética é por definição a incapacidade do músculo em manter uma determinada tensão ou de manter o exercício físico a uma determinada intensidade.

Este processo ocorre mais frequentemente em exercícios de alta intensidade e de duração maior que 30 segundos. Sua origem ainda não está totalmente esclarecida, e até o momento, estudos apontam como principais causas a depleção de substratos (glicogênio, creatina fosfato) ou o acúmulo de metabólitos (Íons H+, Fosfato inorgânico, potássio intersticial).

Estratégias que visam uma melhora no desempenho de atividades limitadas pela fadiga têm por objetivo manter os estoques de glicogênio sempre altos, aumento dos estoques de creatina fosfato, e mais recentemente, muita atenção tem sido focada em estratégias que visam uma redução do acúmulo de Íons H+ (acidose metabólica) durante o exercício.

Durante a atividade física, Íons H+ são produzidos pela quebra do ATP, seu acúmulo reduz o ph muscular alterando a atividade de enzimas e comprometendo o processo de contração muscular.

Dente as estratégias utilizadas para atenuar a redução do ph muscular, citamos os tampões celulares. Estes tem a capacidade de atuar em determinadas faixas de pH, atenuando variações bruscas do mesmo por consumirem íons H+. A faixa de atuação de um tampão é determinada por sua constante de ionização (pKa ou pKb).

Aminoácidos tem a capacidade de atuar com tampões, porém, nenhum deles tem pKa ou pKb próximos do pH muscular (7,1), sendo assim ineficientes na atenuação da redução do mesmo. Estudos apontam que a fadiga da musculatura esquelética causada por acidose ocorre em pH próximo de 6,3.

A Carnosina é um didpeptídeo formado através da ligação do aminoácido L-Histidina com a beta-alanina. Este possui uma constante de ionização (pka) igual a 6,9, possuindo então a capacidade de atuar como um tampão intramuscular, reduzindo a queda brusca de pH e por consequência aumentando o tempo até a fadiga durante a atividade física.

A L-histidina apresenta-se em abundância no corpo humano, sendo o fator limitante para a síntese de carnosina, a beta-alanina.

A síntese endógena de Beta-Alanina é relativamente baixa, e a concentração plasmática deste beta-aminoácido fica abaixo dos níveis de detecção. Sendo assim, visando um aumento das concentrações do mesmo, a suplementação vem sendo amplamente estudada.

A ingestão de Beta-alanina vem demonstrando um potencial ergogênico na melhora do desempenho de atletas. Sabe-se que em doses de 10mg/kg de peso corporal, o pico de concentração da mesma é de aproximadamente 30 a 40 minutos e a sua meia-vida, ou seja, o tempo para sua concentração reduzir à metade é de 25 minutos.

Está evidenciado que o grande potencial ergogênico da suplementação de beta-alanina em exercícios de alta intensidade é o tamponamento intracelular. Contudo, a Beta-alanina mostra-se eficiente apenas em atividades anaeróbias, de alta intensidade e duração superior a 30 segundos, devido ao grande aumento da acidose metabólica nestas atividades.

Dentre outras substâncias utilizadas para o tamponamento da acidose (como bicarbonato de sódio) a suplementação de beta-alanina demonstrou-se capaz de melhorar o desempenho em atividades que sejam limitadas de fato pela queda do pH intramuscular.  Sendo assim, podemos concluir que este aminoácido se consumido dentro das recomendações leva a uma melhora no desempenho, contudo, variações biológicas e  efeitos colaterais não podem ser deixados de lado ao analisar sua eficiência.

Bom treino a todos

Deixe seu Comentário!

You must be logged in to post a comment.