Suplementos de Lipídios e Emagrecimento: mocinhos ou vilões?

Professor Luiz Carlos Carnevali Júnior
Doutor e Mestre pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo - Brasil (ICB-USP)
Coordenador dos cursos de Pós-graduação da UGF (Brasil)
Fisiologia e treinamento aplicados às atividades de academias e clubes
Alimentos Funcionais e Nutrigenômica
Coordenador do curso de Nutrição Esportiva do centro EPAP-Portugal (Ensino Profissional Avançado e Pós-graduado)
Autor do Livro: Exercício, emagrecimento e intensidade do treinamento (2011)

Sempre que falamos ou nos lembramos de gorduras prontamente a relacionamos com a obesidade, doenças cardiovasculares e patologias associadas. Contudo, na atualidade, o consumo se suplementos alimentares que apresentam lipídios em sua composição tem aumentado entre os praticantes de atividade física, principalmente aqueles que acreditam estar com uns quilinhos a mais e que entendem que ao fazerem uso de suplementos a base lipídios (geralmente de origem insaturada), promovem a oxidação de gorduras, ou ainda otimização de seu uso por parte do organismo como fonte de energia.

O que devemos nos perguntar é como o consumo de lipídios de origem insaturada pode auxiliar na perda de gorduras pelo corpo. Isso é possível do ponto de vista metabólico? O que se sabe é que lipídios advindos dos vegetais apresentam-se geralmente no estado liquido e que por esse motivo tem “transito facilitado” nas células do nosso corpo, mais ainda sim são lipídios e quimicamente moléculas de difícil oxidação pelo nosso organismo.

No início da década de 90, alguns pesquisadores verificaram que o consumo de uma dieta equilibrada e com um bom teor de lipídios de origem insaturada, aliado a prática de exercícios, apresentaram resultados satisfatórios ao maximizar o uso de gorduras como fonte de energia pelo nosso corpo. Esse efeito, segundo os pesquisadores, deveu-se a uma “soma” de esforços no processo de sinalização celular realizada por efeito não apenas do exercício, bem como por lipídios insaturados que apresentam a capacidade de ativar proteínas celulares que tem como função regular a produção de enzimas e transportadores responsáveis pelo transporte e oxidação de lipídios dentro da célula muscular.

A esse efeito, foi dado o nome de fator epigênico dos alimentos, e as proteínas que regulam o funcionamento celular, quando ativadas por lipídios “fatores de transcrição” (discutiremos isso em outros artigos). De lá para os dias de hoje pesquisas na área mais atualmente denominada como “Nutrigenômica”, vem ganhando força. Dessa maneira, o lipídio insaturado, teria uma função de apenas de ser utilizado como fonte de energia, mas também de regular o funcionamento celular na maximização da oxidação de gorduras.

Em se tratando de indivíduos saudáveis, recomenda-se o uso de suplementos a base lipídios de origem insaturada para praticantes assíduos de atividade física e mediante a um balanço do consumo de lipídios na dieta convencional. Portanto a recomendação e o controle de seu consumo por um nutricionista são fundamentais para intensificar o seu efeito, sem esquecer é claro, da prática correta e efetiva de exercícios, prescritos por um profissional de Educação Física. Assim, as pessoas podem não apenas emagrecer, bem como, utilizar esta estratégia no tratamento de doenças associadas à obesidade. Contudo trataremos desse assunto em específico, em um próximo encontro.

Bom treino a todos.

Deixe seu Comentário!

You must be logged in to post a comment.