ADAPTAÇÕES FISIOLÓGICAS PROMOVIDAS PELO TREINAMENTO REALIZADO EM DIFERENTES INTENSIDADES NO CONTROLE DOS FATORES DE RISCO ASSOCIADOS Á SÍNDROME METABÓLICA

Mariana Drago

Insituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo

Luiz Carlos Carnevali Junior

Faculdade Anhanguera de Taboão da Serra

Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo- Grupo de Biologia Molecular da Célula (ICB-USP)

 

 

1.             introdução

1.1 Definições, epidemiologia e componentes individuais da SM

sindrome-metabolicaO conceito de síndrome metabólica (SM) foi designado por Gerald Reaven em 1988, que se referiu a ela como um grupo de anormalidades que envolvem: dislipidemia, obesidade, hipertensão e tolerância à glicose prejudicada. Essa síndrome também possui outras denominações: quarteto letal, síndrome plurimetabólica ou síndrome X, mas os nomes ‘Resistência à insulina’ e ‘Síndrome metabólica’ foram os mais aceitos pela entidade clínica (CARROLL & DUDFIELD, 2004; BERTOLAMI, 2004). Embora a maioria dos critérios para a definição da SM se foque nas adaptações fisiológicas supracitadas, há uma variabilidade entre os critérios adotados por cada associação (CARROLL & DUDFIELD, 2004).

A definição mais adotada em todo o mundo é a do National Cholesterol Education Program Adult Treatment Panel III (NCEP-ATP III), que em 2001 elaborou as primeiras orientações para diagnosticar a síndrome metabólica. Essa definição é semelhante à da Organização Mundial de Saúde (OMS) e inclui como critérios: triglicérides > 150 mg/dl, HDL-colesterol baixo (< 40 mg/dl nos homens e < 50 mg/dl nas mulheres), obesidade central (circunferência abdominal > 88 cm para as mulheres e > 102 cm para os homens), glicemia de jejum > 110 mg/dl e pressão arterial > 130/ 85 mmHg. O indivíduo deve apresentar três ou mais anormalidades para ser considerado portador da síndrome (KASAI et al., 2008).

A American Heart Association (AHA) utilizou os mesmos critérios da NCEP-ATP III e da OMS para definição da SM, diferindo apenas no critério obesidade abdominal: circunferência da cintura ≥ 90 cm para os homens e ≥ 80 cm para as mulheres (PISCHON et al., 2008). Já de acordo com a Associação Americana de Diabetes, são considerados portadores da síndrome metabólica indivíduos com resistência à insulina, intolerância à glicose ou diabetes. Essa definição também inclui alguns outros fatores: uso de anti-hipertensivos e/ou pressão arterial elevada acima de 140/ 90 mmHg, obesidade (índice de massa corpórea > 30 kg/m2), níveis elevados de triglicérides (> 150 mg/dl), HDL-colesterol baixo (< 35 mg/dl no homem e < 39 mg/dl na mulher) e microalbuminúria (excreção urinária de albumina > 20 mg/min) (CARLET et al., 2006).

Segundo Bertolami (2004), além destas anormalidades metabólicas, fatores tais como inflamação, defeitos da coagulação e da fibrinólise; nefropatia, microalbuminúria e hiperuricemia podem estar associados à SM. Ainda, devido a adoção de um estilo de vida sedentária, a epidemia global de sobrepeso (reconhecida como fatores de risco para o desenvolvimento de doença cardiovascular e diabetes tipo 2)  tornou-se um sério e crescente problema de saúde mundial, e na grande maioria dos casos associa-se com o desenvolvimento da SM (PISCHON et al., 2008; LAKKA & LAAKSONEN, 2007).

 De fato, em um estudo realizado recentemente no Japão demonstro-use uma associação entre a presença de um maior número de componentes individuais da SM e a extensão da doença arterial coronariana (DAC). Em homens, os componentes relacionados à extensão da DAC foram: pressão sanguínea elevada, HDL-C reduzido e elevada glicemia de jejum. Nas mulheres, além destes componentes foi também considerada a obesidade central (KASAI et al., 2008).

 Em concordância com o supracitado, Pischon et al. (2008) verificaram que homens e mulheres com maior número de anormalidades metabólicas são mais propensos a desenvolverem DAC, além disso, o estudo também mostrou um maior risco relativo de SM em mulheres do que em homens, estando esse estado associado a baixos níveis de HDL-C e resistência à insulina para as mulheres em comparação com os homens.  Tal resistência define-se quando a insulina circulante apresenta anormalidades funcionais nos tecidos sensíveis à sua ação, como por exemplo: tecido adiposo, fígado, endotélio e musculatura esquelética (BERTOLAMI, 2004).

Gutierrez & Marins (2008) verificaram que com o aumento na esterificação e consequentemente dos adipócitos, decorrentes do sedentarismo e má alimentação, ocorre diminuição da captação e oxidação da glicose. Essa dificuldade das células em utilizar a glicose resulta em gliconeogênese hepática e hiperinsulinemia compensatória, por aumento da secreção desse hormônio pelas células betas do pâncreas, na tentativa de manter a glicemia em níveis normais, resultando em tolerância à glicose diminuída e conseqüente desenvolvimento de diabetes mellitus. Além disso, a resistência à insulina gerada pela obesidade visceral resulta em aumento do nível de triglicerídes na circulação, diminuição das HDL2 cardioprotetoras e aumento de partículas de HDL e LDL menores e mais aterogênicas; isso aumenta o risco de doença coronariana pelo motivo de ficarem um maior tempo na circulação, e maior facilidade de penetração na íntima arterial (CARROLL & DUDFIELD, 2004; BERTOLAMI, 2004).

 

1.2 A prática de exercícios no combate aos fatores de risco associados à SM

 

Entre as diversas intervenções recomendadas para os pacientes com SM destaca-se a modificação do estilo de vida, priorizando-se uma dieta saudável e a prática regular de exercícios. Soma-se a esta o combate ao tabagismo, que per se potencializa o risco cardiovascular.  Atualmente, associações de saúde no mundo, como American College of Sports Medicine (ACSM), American Heart Association (AHA), Centers for Disease Control and Prevention (CDC), National Institutes of Health (NIH), US Surgeon General e Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), têm indicado a prática de exercícios regulares na prevenção e reabilitação de indivíduos portadores da SM, considerando a estreita relação entre sedentarismo e aumento dos fatores de risco associados a esta.

Os efeitos favoráveis da prática de exercícios na melhora da resistência à insulina, intolerância à glicose, diabete tipo 2, dislipidemia e pressão sanguínea elevada não estão diretamente associados à perda de peso (LAKKA & LAAKSONEN, 2007) contudo, reduz a pressão arterial, eleva o HDL-colesterol e melhora o controle glicêmico (BRANDÃO et al., 2005).  Adicionalmente, a prática de qualquer tipo de atividade física é fator determinante no gasto de calorias e fundamental para o balanço energético e controle do peso. Tal prática, além dos efeitos sobre a SM, traz benefícios também contra outras doenças (p.e câncer de cólon e câncer de mama) (BRANDÃO et al., 2005).  Ainda tratando-se de resistência a insulina, a prática de exercícios, desconsiderando-se o modelo, apresenta tanto um efeito agudo quanto crônico sobre a sensibilidade à insulina, porém existe a necessidade da regularidade e freqüência da prática da atividade física, uma vez que o efeito do exercício sobre a insulina apresenta-se entre 12 à 48 horas após a sessão de exercício, voltando aos níveis pré – atividade entre três à cinco dias após a última sessão de exercício físico (CIOLAC & GUIMARÃES, 2004; CARLET et al., 2006).

A prática de exercícios decresce a quantidade de gordura abdominal, visceral e subcutânea, independente da dieta em indivíduos com sobrepeso e obesos (homens e mulheres). Alguns resultados demonstram que o exercício crônico decresce a gordura visceral (que me excesso é fator complicador de distúrbios metabólicos), mais efetivamente do que a gordura total ou subcutânea abdominal, independente da perda de peso (LAKKA & LAAKSONEN, 2007).

O exercício praticado cronicamente também proporciona adaptações positivas sobre o perfil lipídico de indivíduos fisicamente ativos, como maiores níveis de HDL – c e menores níveis de triglicérides, LDL e VLDL –c, comparativamente à indivíduos sedentários, independente do gênero, biótipo e dieta. É provável que esse efeito do exercício sobre o perfil de lipídios e lipoproteínas em indivíduos com síndrome metabólica, ocorra devido ao fato de que o mesmo aumenta o consumo de ácidos graxos pelo tecido muscular e a atividade da enzima lipase lipoprotéica no músculo (CIOLAC & GUIMARÃES, 2004; CARLET et al ., 2006).

 

Embora as adaptações fisiológicas promovidas pela prática de exercícios estejam bem estabelecidas na literatura, atividades de caráter aeróbio de intensidade moderada é sem duvida a mais recomendada no combate aos distúrbios metabólicos e fisiológicos promovidos pelo estabelecimento da síndrome metabólica.  Contudo, nos últimos anos, diversos pesquisadores utilizando o conceito de “time efficiency” têm verificado adaptações metabólicas e fisiológicas significantes quando da utilização de protocolos de treinamento mais curtos e com maior intensidade de trabalho no que diz respeito a melhora do condicionamento físico e perda de peso, bem como no auxílio ao tratamento de patologias, entre estas a síndrome metabólica.  (TALANIAN et al., 2010)

Para tal torna-se importante reunir as informações disponíveis na literatura científica objetivando a comparação entre as diversas metodologias baseadas em diferentes intensidades de treinamento no auxilio ao tratamento dos fatores de risco associados á (SM) síndrome metabólica, como faremos a seguir.

 

2.             TREINAMENTO EM DIFERENTES INTENSIDADES NO CONTROLE DA SÍNDROME METABÓLICA

2.1. Treinamento de baixa (moderada) intensidade

Diversos estudos mostram mudanças positivas em fatores de risco da SM com intervenção de exercício físico aeróbico de baixa à moderada intensidade (CARROLL & DUDFIELD, 2004; JOHNSON et al., 2007; MAXWELL et al., 2008; KING et al., 1995; PRADO & DANTAS, 2002; SILVA et al., 1988). Sabe-se que os benefícios da atividade física podem ser alcançados com intensidade baixa, moderada ou alta, indicando que um estilo de vida ativa, independente de qual atividade praticada, pode evitar o desenvolvimento de obesidade e amenizar os efeitos da SM (CIOLAC & GUIMARÃES, 2004).

Segundo Prado & Dantas (2002), o exercício aeróbio com intensidade moderada (50-70% do VO2 máximo), com duração mínima de 30 minutos, 3 vezes por semana é suficiente para produzir mudanças lipoprotéicas em qualquer indivíduo. Dados publicados em 2003 mostraram que 30,5% de 105 indivíduos de meia idade se tornaram livres da síndrome metabólica após 20 semanas de exercício aeróbico de intensidade moderada (KATZMARZYK et al., 2003).

Em relação ao perfil lipídico, poucos são os estudos que não encontram modificações nos níveis de LDL-C e HDL-C com o exercício aeróbio (HURLEY, 1989). King et al. (1995) constataram que indivíduos saudáveis de meia idade podem conseguir alterações benéficas nos níveis lipoprotéicos com exercícios aeróbios de intensidade moderada. Outros três estudos também observaram alterações no perfil de HDL – C usando treinamento aeróbio e intensidade moderada como intervenção (ZMUDA et al., 1998; THOMPSON et al., 1997; KATZEL et al., 2007). Silva et al. (1988) também constataram diminuição nos níveis de triglicérides e aumento de HDL –C em indivíduos submetidos à exercício aeróbico de baixa intensidade (duas vezes por semana, duração de 15 minutos, de caminhada, bicicleta, corrida e ginástica em colchão). Tais resultados forma corroborados por Carroll & Dudfield (2004), que encontraram melhoras modestas no perfil da dislipidemia, no aumento do HDL – C e diminuição de triglicérides, em adultos de meia-idade submetidos a um longo tempo de exercício com intensidade moderada.

 

Contudo, mais recentemente, em revisão publicada Maruyama et al., (2010), comparou-se a eficiência dos exercícios aeróbios em diferentes intensidades no controle dos níveis plasmáticos de HDL-C. De fato, o treinamento de caráter aeróbio modula positivamente as concentrações do HDL-C, mostrando-se aquele realizado em alta intensidade mais efetivo que o de baixa intensidade na modulação dos níveis plasmáticos de HDL-C. Em contrapartida, os níveis de LDL parecem diminuir de maneira mais eficiente a partir de um programa de exercícios de baixa à moderada intensidade.

Sugere-se na literatura que um dos motivos dos maiores benefícios em exercício de baixa intensidade seria a maior porcentagem de energia proveniente oxidação de gorduras, enquanto que a energia do exercício de alta intensidade provém da oxidação de carboidratos (JOHNSON et al., 2007).  Contudo pesquisas recentes de diversos autores (TALANIAN et al., 2010; BURGOMASTER et al., 2008; TALANIAN et al., 2007) e realizadas pelo nosso grupo de pesquisa (Carnevali et al., 2011), demonstram que embora os exercícios realizados em alta intensidade intensifiquem a utilização de carboidratos durante a prática, efeitos metabólicos pós-exercício, potencializam o uso de lipídios como fonte de energia para a manutenção e recuperação da célula, inclusive amenizando os fatores de risco associados a SM.

2.1.3         Treinamento de alta intensidade

Diversos estudos relatam os efeitos do exercício aeróbico de intensidade moderada, contudo, o exercício resistido também é capaz de proporcioná-los. Estes se caracterizam por preservar a musculatura, aumentar a massa magra, força e potência muscular que tendem a diminuir devido à dieta, aumentando a redução de gordura corporal (CARLET et al., 2006; CIOLAC & GUIMARÃES, 2004).

O ganho de força muscular e massa magra amenizam os efeitos da SM em homens normais e com sobrepeso de todas as idades, (JURCA et al., 2005), além disso, o treinamento de força de alta intensidade diminui o tecido adiposo visceral e age na perda de peso por aumentar o gasto energético total e o EPOC (excesso de consumo de oxigênio pós-exercício), aumenta a termogênese induzida pelo alimento e a atividade da leptina, além de diminuir a pressão arterial sistólica e diastólica e induzir à secreção de substâncias vasodilatadoras como o óxido nítrico (GUTIERREZ & MARTINS, 2008).

Em estudo realizado por Nindl et al. (2002) sugeriu-se que o treinamento de força de alta intensidade reduz os níveis de leptina circulante devido a energia gasta durante o exercício e ao consumo de oxigênio pós-exercício, proporcionando mudanças agudas e crônicas no gasto energético total. As agudas correspondem ao custo enérgico na realização do exercício e na fase de recuperação, as crônicas se devem ao aumento da TMB (taxa metabolica basal) (MEIRELLES & GOMES, 2004). Segundo Melby et al. (1998), esse benefício durante o exercício está relacionado à liberação de cortisona e hormônio do crescimento (ativação do metabolismo anaeróbio), e na recuperação, o benefício está relacionado à restauração dos estoques de ATP, fosfocreatina muscular e oxigênio sanguíneo, além da remoção de lactato, aumento da FC (freqüência cardíaca) e à alta atividade do sistema nervoso simpático.

Os benefícios pós-exercício são maiores após a prática de atividades de caráter anaeróbio. De fato, o volume de treinamento é a variável mais relevante no gasto calórico, enquanto que a intensidade se mostra mais importante no período de recuperação (BURLESON et al., 1998; THORNTON et al., 2002). O aumento de força e massa muscular induzidas pelo treinamento de força em alta intensidade também melhora o controle glicêmico de pacientes diabéticos idosos, pela diminuição dos níveis de glicose sanguínea, aumento dos estoques de glicogênio muscular e redução da gordura do tronco (CIOLAC & GUIMARÃES, 2004), podendo ainda aumentar a sensibilidade dos receptores celulares à insulina, parecendo ainda ter efeito benéfico sobre o perfil lipídico, diminuindo LDL-C (MEIRELLES & GOMES, 2004).

Honkola et al. (1997) verificaram reduções nas concentrações de colesterol total, LDL-C e TG em diabéticos tipo 2 submetidos à 5 meses de exercícios resistidos de alta intensidade, 2 vezes por semana. Existe ainda a possibilidade de que a realização do trabalho aeróbio de alta intensidade parece promover adaptações semelhantes às encontradas no treino de força em alta intensidade. Contudo, tal estratégia se faz eficiente a partir de um maior volume de trabalho (SOUSA E VIRTUOSO, 2005; KING et al., 1995; THOMPSON et al., 1997; ZMUDA et al., 1998).

 De fato, diversos estudos observaram melhora no perfil lipídico após treinamento aeróbico de alta intensidade (60-80% da FC de reserva, três à cinco vezes por semana), com aumento nos níveis de HDL- C e menor concentração de LDLs pequenas e densas (GOMEZ et al., 2005; BERLIN et al., 1990; MORRIS et al., 1953). Katzel et al. (2007) também encontraram mudanças positivas nos níveis de HDL – C e na subfração HDL 2 – C em indivíduos obesos de meia-idade submetidos a exercício aeróbio de alta intensidade.

 Sugere-se, portanto, que tanto O exercício aeróbico de alta intensidade (3x/semana, 60 minutos em 60 – 80% da freqüência cardíaca) quanto o exercício resistido de alta intensidade  controla e ameniza os efeitos deletérios dos fatores de risco associados a  SM (circunferência da cintura, triglicérides, HDL –C, PAS, PAD e tolerância à glicose), podendo estes ser uma boa estratégias para tal tratamento (ANDERSSEN et al., 2007, MCARTNEY et al., 1993).

2        COMPARAÇÃO ENTRE AS DIFERENTES INTENSIDADES DE TREINAMENTO NO TRATAMENTO DA SM.

O efeito agudo do exercício aeróbio de baixa ou alta intensidade pode melhorar o perfil lipoprotéico, ocasionando aumento do nível do HDL-C e da subfração HDL2 - C, e modificando as partículas das LDL – C tornando-as menos aterogênicas (PRADO & DANTAS, 2002). Em contrapartida, um estudo usando treinamento em diferentes intensidades mostrou que somente aquele de alta intensidade induz aumento nos níveis de HDL-C (KING et al., 1995).

Comparando os efeitos do treinamento de resistência e treinamento aeróbio de alta intensidade nos fatores de risco da DAC, Banz et al. (2002) demonstraram que o treinamento aeróbio proporciona benefícios na pressão arterial diastólica, na relação cintura-quadril e HDL-C, e que o treinamento de resistência melhora a relação cintura-quadril e composição de gordura corporal, indicando que embora de maneiras distintas, ambas intervenções mostraram-se eficazes, considerando-se a intensidade de treinamento fator fundamental para obtenção destes. Contudo, em estudo clássico realizado por Hurley et al., 1989, não se encontraram modificações significativas no perfil lipídico de indivíduos saudáveis quando comparou os efeitos do treinamento de força e aeróbio de alta intensidade, ressaltando-se ainda que apenas o treinamento aeróbio foi capaz de diminuir o nível de triglicerídeos.

Scherve et al. (2008) realizaram um estudo usando treinamento de força (TF), treinamento aeróbico de intensidade moderada (TAM) e treinamento aeróbico de alta intensidade (TAAI).  Estes observaram maior oxidação de LDL –C no TF, maior redução do peso e da pressão arterial diastólica no TAM, maior redução de gordura corporal no TAM e no TAAI, e maior consumo de oxigênio (aumento do VO2 máximo) no TAAI, sugerindo mais uma vez que a intensidade do treinamento é capaz de induzir adaptações à nível celular de maneira semelhante aos exercícios de intensidade moderada, ainda dentro do mecanismo de “ time efficiency” supracitado.

 Em trabalho realizado em 2005, Souza & Virtuoso (2005) sugerem que exercícios anaeróbicos de alta intensidade podem ser mais eficientes no controle de peso corporal, por aumentarem a massa corporal magra e contribuírem para a perda de gordura corporal. Mais revcentemente, Moreira et al. (2008) compararam os efeitos do treinamento realizado em baixa e alta intensidade no controle das variáveis de risco cardíaco em adultos com sobrepeso, e encontraram uma significativa redução do colesterol total no grupo do exercício de baixa intensidade e maior redução de circunferência do quadril, razão cintura-quadril e aumento do limiar anaeróbio no grupo praticante do treino de alta intensidade.

 

Em estudo realizado em 2004 observou-se que a associação entre treinamento de força e treinamento aeróbio proporciona efeitos benéficos e independentes à SM em homens saudáveis de meia-idade, com sobrepeso e obesos, efeitos estes que incluem: redução da circunferência do quadril, nível de triglicerídeos, glicose sanguínea, pressão sanguínea sistólica e diastólica e aumento no nível de HDL-C. Esse estudo também demonstrou melhores resultados para a redução da prevalência da SM com ambos os tipos de exercício em alta intensidade (JURCA et al., 2004). Portanto, assumi-se que a soma entre exercícios aeróbios e resistidos em diferentes intensidades é capaz de produzir mudanças positivas nos fatores da SM (ALMEIDA & SANTOS, 2007).

 

Conclui-se dessa maneira que a prática regular de atividade física diminui o risco relacionado a cada componente da SM. O treinamento aeróbio de baixa e moderada intensidade proporcionam benefícios nos níveis lipoprotéicos, pressão sanguínea, sensibilidade à insulina e redução da obesidade. O treinamento de força (TF) também proporciona benefícios, preserva e aumenta a massa magra, diminui o tecido adiposo visceral e age na perda de peso, diminui a pressão arterial sistólica e diastólica, melhora o controle glicêmico de pacientes diabéticos e tem efeito benéfico sobre o perfil lipídico. A realização de treinamento aeróbio de alta intensidade também parece promover adaptações semelhantes às encontradas no TF, mas este se mostra mais eficaz a partir de um maior volume de trabalho. A associação entre TF e treinamento aeróbio é capaz de produzir mudanças positivas nos fatores de risco da SM, mudanças estas que incluem: redução da circunferência do quadril, nível de triglicerídeos, glicose sanguínea, pressão sanguínea sistólica e diastólica e aumento no nível de HDL-C. Os melhores resultados para redução da prevalência da SM se mostram com a somatória dos dois tipos de exercício, principalmente se realizados em intensidade mais elevada. Dessa maneira, ao aliar os dois tipos de treinamento obtêm-se melhores resultados para a redução da prevalência da SM.

 

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32   MEIRELLES, C.; GOMES, S. Efeitos agudos da atividade contra resistência sobre o gasto energético: revisando o impacto sobre as principais variáveis. Rev Bras Med Esporte., Rio de Janeiro, v. 10, 2, p. 122- 130, março/ abril,2004.    

 

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36   MOTA, M. Efeitos hipotensores de exercícios aeróbios e resistidos realizados por funcionários da Presidência da República. 2006. 74. Dissertação de mestrado em Educação Física – Universidade Católica de Brasília, Distrito Federal, 2006.

 

37   NINDL, B.; KRAEMER, J.; ARCIERO, P.; SAMATALLEE, N.; LEONE, C.;  MAYO, M. Leptin concentrations experience a delayed reduction after resistance exercise in men. Med Sci Sports Exerc., Pensylvania, v. 34, 4, p. 608 – 13, abril, 2002.

 

38   PISCHON, T.; HU, F.; REXRODE, K.; GIRMAN, C.;  MANSON, J.; RIMM, E. Inflammation, the metabolic syndrome, and risk of coronary heart disease in women and men. Atherosclerosis, Boston, v. 197, p. 392 – 399, agosto, 2008.

 

39   PRADO, E.; DANTAS, E. Efeitos dos exercícios físicos aeróbio e de força nas lipoproteínas HDL, LDL e Lipoproteína (a). Arq. Bras. Cardiol., São Paulo, v. 79, 4,  p. 429- 433, 2002.

 

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41   SCHJERVE I.; TYLDUM G.; TJONNA A., STOLEN T.; LOENNECHEN J.;  HANSEN H.; HARAM P.; HEINRICH G.; BYE A.; NAJJAR S.; SMITH G.; SLORDAHL S.; KEMI O.; WISLOFF U. Both aerobic endurance and strength training programs improve cardiovascular health in obese adults. Clinical Science, Glasgow, v. 115, p. 283 – 293, março, 2008.

 

42   SOUZA, L. M.; VIRTUOSO, J. S. A efetividade de programas de exercício físico no controle do peso corporal. Rev. Saúde. Com., Jequié, v. 1, 1, p. 71 – 78, 2005.

 

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  1. Entretanto, a interrupção antecipada dos períodos de recuperação, aliada ao aumento progressivo do volume ou da intensidade de treinamento, torna a rotina do atleta cada vez mais extenuante. Essa “exaustão” temporária induzida pelo excesso de treinamento tem sido denominada overreaching, uma condição facilmente recuperada em curto prazo, porém, se for estendida por longos períodos tem se convertido em overtraining e até burnout, o que tem acometido significativamente os atletas de alto rendimento (KUIPERS, 1998; RAEDEKE, T. D.; SMITH, 2001).

    Postado em 25/01/2014
  2. Entretanto, a interrupção antecipada dos períodos de recuperação, aliada ao aumento progressivo do volume ou da intensidade de treinamento, torna a rotina do atleta cada vez mais extenuante. Essa “exaustão” temporária induzida pelo excesso de treinamento tem sido denominada overreaching, uma condição facilmente recuperada em curto prazo, porém, se for estendida por longos períodos tem se convertido em overtraining e até burnout, o que tem acometido significativamente os atletas de alto rendimento (KUIPERS, 1998; RAEDEKE, T. D.; SMITH, 2001).

    Postado em 28/01/2014
  3. avaliaram 40 pacientes com DPOC randomizados para oito semanas (16 sessões) de treinamento de força de baixa intensidade ( Tabela 2 ) ou treinamento aeróbio de moderada a alta intensidade ( Tabela 3 ). Ambos os grupos de pacientes com DPOC mostraram aprimoramentos significativos relacionados à capacidade de exercício, dispnéia, desempenho em atividades de vida diária e qualidade de vida.

    Postado em 03/02/2014

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